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Joãozinho da Percussão

Letras das músicas do CD Ritmo do Tempo

1 . De Volta ao Samba - Composição: Chico Buarque
Pensou que eu não vinha mais, pensou
Cansou de esperar por mim
Acenda o refletor
Apure o tamborim
Aqui é o meu lugar
Eu vim

Fechou o tempo, o salão fechou
Mas eu entro mesmo assim
Acenda o refletor
Apure o tamborim
Aqui é o meu lugar
Eu vim

Eu sei que fui um impostor
Hipócrita querendo renegar seu amor
Porém me deixe ao menos ser
Pela última vez o seu compositor

Quem vibrou nas minhas mãos
Não vai me largar assim
Acenda o refletor
Apure o tamborim
Preciso lhe falar
Eu vim
Com a flor
Dos acordes que você
Brotando cantou pra mim
Acenda o refletor
Apure o tamborim
Aqui é o meu lugar
Eu vim

Eu era sem tirar nem pôr
Um pobre de espírito ao desdenhar seu valor
Porém meu samba, o trunfo é seu
Pois quando de uma vez por todas
Eu me for
E o silêncio me abraçar
Você sambará sem mim
Acenda o refletor
Apure o tamborim
Aqui é o meu lugar
Eu vim

2 . Loquela - Composição: Fernando Barreto / Luisinho Lopes

A reta é a linha mais deserta entre dois pontos
Entre duas bocas, entre dois nós
O beijo unia com sabedoria o que haveria e manteria entre nos dois
A lua cheia chega a ficar feia
Quando as nuvens vencem por omissão do céu /
O sonho é o bote do lampejo
É o cofre forte que retém desejos
Cópula do olhar
O medo é o dedo do futuro
que tocou mais cedo a paz da ferida
só pra especular.

3 . Samba do Tempo - Composição: Nany Netto / Ana Terra
Tempo que passa e marca tatuando amor
Tempo que diz que arrasta e não afasta a dor
Sobra que diz ser sobra e falta tempo
Prá reinventar um argumento
Onde a rima não rima com acabou

Diz que a harmonia cobra de um pandeiro dor
Dentro do samba a sorte se encarregou
Cor que se multiplica em instrumentos
Chama a cuíca, chora um lamento,
Entra o cavaco e acerta o passo
Que foi dado em falso no falso tempo
Mas o meu pinho não toca pranto
Convida um banjo pro acalanto
Que solta as notas prum violeiro
Que diz que o samba termina em bossa
E que toda a bossa sufoca o tempo
Que todo o tempo apaga as notas
Que a vida anota no pensamento

4. Depois dos Trinta - Composição: Américo Scarpelli Jr & A. Boson
Depois dos trinta é que se vê que a vida é curta
Que já prepara a nossa taça de Cicuta
E a gente fica admirado de repente
Percebendo tanta coisa a que já estava indiferente
A lua cheia no céu fica mais distinta
Ninguém calcula o estrago que ela faz no homem de trinta
E pra saúde conservar-se mais inteira
Só tomando um suador no salão da gafieira

Depois dos trinta tão depressa o tempo passa
Que eu fico mesmo achando até que é uma trapaça
E a gente fica de repente olhando tudo
Percebendo que a vida não mais de um segundo
No corre-corre todo mundo se entrincheira
Ninguém se entende por aqui, ai, ai meu deus a coisa cheira
O jeito agora é buscar nova fragrância
Dançando sapateado ao frescor de uma elegância

Depois dos trinta é que se vê que a vida é curta
Que há mais caroço do que polpa nessa fruta
Depois dos trinta vem a serra dos quarenta
Se você não tiver pique com certeza não aguenta
Eu vou no samba que me ajuda na ladeira
Eu danço o frevo, o forró e dou um show na gafieira
E pra moçada não ficar lá muito triste
Vou mostrando pros meninos o jeitinho do twist

E quando a vida vem querendo me por banca
Eu grito alô, alô, alô, socorro Branca
E desse jeito vou chegando a velhice
Mas no colo de Ana Paula, ou nos braços de Ana Alice
E quem de branco pintará os meus cabelos
São os raios do luar pois a noite assim quer vê-los

E quando a vida vem querendo me por banca
Eu grito alô, alô, alô, socorro Branca
E desse jeito que galopo a minha sina
Bicho brabo meu amor mais me agarro em sua crina
Com muito jeito eu afago a sua crina
Minha vida sem senhor minha estranha concubina

5 - Aqui ó - Composição: Toninho Horta
Oh, Minas Gerais, um caminhão
Leva que ficou por vinte anos, ou mais
Eu iria a pé, oh, meu amor
Eu iria a pé, meu pai, sem um tostão

Em Minas Gerais
Alegria é guardada em cofres, catedrais
Na varanda encontro o meu amor
Tem bênção de Deus
Todo aquele que trabalha no escritório
Bendito é o fruto dessas Minas Gerais
Minas Gerais...

6. Legiões – composição: A. Boson
Tudo tem a sua hora e o seu tempo
É sempre assim meu bem até o nosso amor
Nós não somos um não somos dois: somos em legiões
Muitos... demais... é uma só paixão
Por isso deixe as mágoas pra depois – pra muito depois
Que agora é a nossa hora de sorrir, viajar não partir
Deixe o fim para o fim e o início para nós dois
Enquanto nós ainda somos somente nós dois
Deixe o fim para o fim e o início para nós

7 . Teimosia – composição: Carlinhos Vergueiro
Voltou todo o carinho
E a loucura da noite que ataca e confunde
Os meus sentimentos, as minhas vontades
E o sossego que eu não nego me pega
E me deixa tranquila(o)
Com a cabeça fria
Ver você dormindo
A minha agonia passou
Pela décima vez
Não se fala mais nisso
Eu já estou de saída
Venho te acordar
Vamos ao cinema
E os meus nervos, e a raiva que eu tenho
Me deixam maluca(o) com a cabeça quente
Ver você chegar a minha agonia voltou
Que é que eu vou fazer
Tanta teimosia passou...

9. Ciranda – composição: Américo Scarpelli Jr & A. Boson
Vejo a chuva cair na vidraça
Que se embaça ao leve roçar
Dos meus lábios na branca lâmina vítrea
Onde um nome começa o dedo a desenhar
É ciranda...
Se o tempo desmancha a retina
Tal rapina não pode apagar
Fortes sentimentos incrustados na pele
Como fossem arrecifes tatuando e meu mar
Ah! Meu mar...
Ó Ciranda, girou o torvelino
Da vida a ciranda, que encantou o menino
Pensou que era festa, nova brincadeira
Mas tudo era euforia de incontidas tristezas
Ó Ciranda, essa luta sem tréguas
Ó minha Ciranda, já voltei tantas léguas
Não acho o caminho, mas guardo o seu carinho
Me perdi foi de mim, não foi de você
Ó Ciranda...

10 . Possibilissamba (Samba do trombone) – composição: Carlinhos Vergueiro
Pensando num samba onde um trombone
Tem papel de destaque
Eu ando insone pela casa
Controlando um ataque de asma, Rezando para que durante o dia
O telefone toque possibilitando o Samba
Se o telefone tocar
Eu já sei a batida que o Samba terá
Eu já vi muita gente dança,
Já vi muita gente mexer
Igual nesse samba
Ainda tô pra ver

11 - Pegue o escuro – composição: Rosana Brito
Apague, pague, pegue o escuro
Não insista e durma se for capaz
Pense, não pense, arregale os olhos
Eles vão querer mas não seja um homem menino
Senão você vai dar muitas voltas
E afundar o chão da sua casa

Ô companheiro, quem não bole com o fogo nunca vai se queimar (não vai)
Não tenha medo que o segredo do brinquedo é não se adaptar (jamais)
Tomar um porre, passar dos limites
Sair da linha, andar na corda bamba

Ô companheiro, tenha atrevimento, tenha rebeldia
Muito cuidado prá não ser estrangulado,
Regulado, rotulado, enquadrado na lei
Ô companheiro, tenha atrevimento, tenha rebeldia
Ô companheiro, tenha rebeldia!...
Apague, pague, pegue o escuro
Não insista e durma se for capaz!...


12. Crepúsculo – composição: Tânia Bicalho / Isabela Ladeira
Não adianta pedir
Essa não é a primeira estrela que ilumina alguém
Não adianta jurar
Esse não é o último sonho que você tem
Os carros passam,
O mirante continua no mesmo lugar
A chuva para e o sol continua se pondo lá

No ar a mais nítida impressão,
È a paisagem que se vai
No céu a bruta solidão
De outra estrela que vai cair

No ar a nítida impressão
È a paisagem que se vai
No céu a bruta solidão
De outra estrela que cai

13. Mal de Quebranto – composição: Américo Scarpelli / A. Boson
Mal de quebranto eu agora vou quebrando
Feito arruda com meu canto
E um bom cheiro de jasmim ou coisa assim
E sai brotando um sorriso do meu pranto
E a alegria se espalhando vai tomar conta de mim
Então eu vou sigo viagem a voz do canto é a minha carruagem
Me leva em movimento, doce acalento, do tempo e do contratempo
Eu canto sempre, eu canto tudo, quem compreende não fica mudo
Eu canto claro eu canto, eu canto escuro
Eu canto mole tanto quanto canto duro
Quebranto quebro assim os males sim
Enfim eu vou espantando
Quem não conclama esse meu canto, porque a vida é sofrimento
É lida é lama eu sei eu compreendo
Mas entre estrumes rosas brancas vão nascendo
Então eu canto sim, afloro assim enfim o cheiro de um jardim

Mal de quebranto...

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